quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A última dança

Das coisas que mais gosto de fazer na vida é dançar. Foi na dança que fui buscar forças para conseguir enfrentar tantas tempestades, onde vivi sonhos em movimentos, onde senti cada salto como um voo certeiro, onde fui tudo aquilo que sou e um dia sonhei ser. Gosto de estética, de sentir que há mais coisas belas no mundo do que feias e rabiscadas, e mesmo essas podem muito bem vir a ser alteradas, embelezadas  a seu tempo. Gosto de arte em tudo o que me rodeia, sentir a energia de quem me rodeia, não perder tempo com o desnecessário nem com o que nos bloqueia o crescimento. Gosto de cada minuto da minha vida e ignoro tudo o que me aborrece, enterro e piso muito bem para não correr riscos de tropeçar nas suas raízes. Hás vezes nem sempre corre bem, não sacudo a tempo o pó dos ombros e dou por mim a carregar um peso que não é meu ou pelo menos não o sinto como sendo, mas se assim não fosse não saberia valorizar cada voo, cada salto, cada movimento que dou e sou. E pior que não dançar, é não o saber fazer, viver uma vida inteira a imaginar como será a liberdade que existe em cada salto, em cada movimento. Agora que não posso voltar a dançar, não por falta de tempo, mas porque tenho ménière que me impede de rodopiar, fico feliz porque um dia soube como se dança e voa numa vida nem sempre fácil de bailar.

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